CADERNOS DE LANZAROTE PDF

These inter-island flights are operated by regional airlines Binter Canarias and Canaryfly. Lanzarote Airport is located about 5 kilometres 3. This port is also used by cruise ships. Public transport on the island is provided by Arrecife Bus, operating under the name of Intercity Bus Lanzarote. Most lines begin or end in the capital, Arrecife.

Author:Mazugore Kigajin
Country:Iran
Language:English (Spanish)
Genre:Sex
Published (Last):13 October 2019
Pages:425
PDF File Size:9.87 Mb
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ISBN:361-6-37204-326-8
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Ortega y Gasset Este livro, que vida havendo e sade no faltando ter continuao, um dirio. Gente maliciosa v-lo- como um exerccio de narcisismo a frio, e no serei eu quem v negar a parte de verdade que haja no sumrio juzo, se o mesmo tenho pensado algumas vezes perante outros exemplos, ilustres esses, desta forma particular de comprazimento prprio que o dirio.

Escrever um dirio como olhar-se num espelho de confiana, adestrado a transformar em beleza a simples boa aparncia ou, no pior dos casos, a tornar suportvel a mxima fealdade. Ningum escreve um dirio para dizer quem. Por outras palavras, um dirio um romance com uma s personagem.

Por outras palavras ainda, e finais, a questo central sempre suscitada por este tipo de escritos , assim creio, a da sinceridade. Porqu ento estes cadernos, se no limiar deles j se esto propondo suspeitas e justificando desconfianas? Um dia escrevi que tudo autobiografia, que a vida de cada um de ns a estamos contando em tudo quanto fazemos e dizemos, nos gestos, na maneira como nos sentamos, como andamos e olhamos, como viramos a cabea ou apanhamos um objecto do cho. Queria eu dizer ento 9 que, vivendo rodeados de sinais, ns prprios somos um sistema de sinais.

Ora, trazido pelas circunstncias a viver longe, tornado de algum modo invisvel aos olhos de quantos se habituaram a ver-me e a encontrar-me onde me viam, senti sempre comeamos por sentir, depois que passamos ao raciocnio a necessidade de juntar aos sinais que me identificam um certo olhar sobre mim mesmo.

O olhar do espelho. Sujeito-me portanto ao risco de insinceridade por buscar o seu contrrio. Seja como for, que os leitores se tranquilizem: este Narciso que hoje se contempla na gua desfar amanh com a sua prpria, mo a imagem que o contempla. Ilha de Lanzarote, Fevereiro de Achavam eles que eu devia escrever sobre os meus dias de Lanzarote, ideia, alis, que coincidia com a que j me andava na cabea.

A oferta trazia porm uma condio: que eu no me esquecesse, de vez em quando, de mencionar-lhes os nomes e os feitos As primeiras palavras que escrevo so portanto para eles. Quanto s seguintes, tero de fazer alguma coisa por isso. O caderno fica guardado. Comecei a escrever o conto do capito do porto e do director da alfndega. A ideia andava comigo h uns cinco ou seis anos, desde o encontro de escritores que por essa altura se realizou em Ponta Delgada, com o Urbano, o Joo de Melo, o Francisco Jos Viegas, o Lus Coelho.

O caso parece ter sucedido mesmo pelo menos assim me foi dito pela ngela Almeida , e surpreende-me que ningum, tanto quanto sei,-lhe tenha pegado, at hoje. Veremos o que serei capaz de fazer com ele: ainda vou no primeiro 11 pargrafo. A histria parece fcil de contar, daquelas que se despacham em duas frases, mas a simplicidade enganosa: no se trata de uma reflexo sobre um eu e um outro, mas da demonstrao, anedtica neste caso, de que o outro , afinal, o prprio.

A anedota acabar por mudar-se em tragdia, mas a tragdia ser, ela mesma, cmica. Os recados ficam no gravador, e resposta, nenhuma. E no sei se, rematado o projecto em nada, como prevejo, o meu sentimento final vir a ser de decepo ou de alvio.

De facto, escrever para a televiso uma histria de D. Joo II no foi coisa que alguma vez me tivesse entusiasmado, mas a remunerao do trabalho, nos termos e condies que propus e que, em princpio, foram aceites, terme-ia livrado de preocupaes materiais, e no apenas para os tempos mais prximos.

Depois de tudo, e perante o silncio do Judas, receio bem que triunfe o. Em Schopenhauer y los anos salvajes de la filosofia de Rdiger Safranski encontro uma frase que gostaria de ter escrito: O homem o mais perfeito dos animais domsticos O autor dela se outro no a disse antes foi um professor da Universidade de Gttingen, de nome Blumenbach.

Uma outra frase, magnfica, mas esta de Schleiermacher, que eu teria posto como abertura do Evangelho, sem mais: O que tem religio no o que cr numa Escritura Sagrada, mas o que no precisa dela e seria, ele prprio, capaz de faz-la. Traduo de traduo. A arte no avana, move-se. Respondendo carta em que me desligava do jri do Prmio Stendhal, escreve-me Dorio Mutti a rogar-me a palavra no exagerada que continue. Alega que no encontra ningum para me substituir, que sem mim o Prmio perder muita da sua importncia e da sua credibilidade, que partilha das minhas preocupaes quanto Europa e, finalmente, que o Prmio Stendhal precisa de pessoas que estejam acima de todas as suspeitas.

Imagine-se: eu, acima de todas as suspeitas Tudo isto confirma o que algumas vezes tenho pensado: que Portugal e, pelos vistos, agora tambm a Europa, devem andar muito mal de gente, para que esta simples pessoa que no fim de contas sou, sem nunca o ter querido e sem o justificar, possa estar a fazer figura de importante e indispensvel Sendo o ego o que sabemos, o mais certo ser continuar eu no jri.

Carta de agradecimento a uma professora de Filosofia, e seus alunos, da Escola Secundria do Padro da Lgua, em Matosinhos, por um trabalho feito sobre o artigo Contra a tolerncia, que saiu h tempos no Pblico. O divertido terem-me posto a dialogar com Kant, o que, sendo um abuso intelectual de que estou inocente, pode compreender-se e aceitar-se, se pensarmos que o dito Kant, ao longo da sua vida, teve necessidade de dialogar com muitssima gente, alguma sublime, outra no tanto, a maior parte assim-assim, e todos esses poderiam dizer: Kant falou comigo Graas ao Padro da Lgua, falei eu com Kant.

A ela no a conhecia, a ele pouco, por isso a conversa foi difcil ao princpio. No se falou de literatura, e ainda bem. H muito tempo que no leio nada dele, e no queria recorrer s antiguidades que a tenho: de poesia, Em Rodagem, que o seu primeiro livro , e Poemas Propostos, ; de teatro, Os Visigodos e Outras Peas, , e A Batalha Naval, de O tema perfeito - Lanzarote - estava, por assim dizer, mo de semear, e graas a ele fizeram-se as despesas da conversa.

Sinal da idade que tenho esta preocupao nova de buscar na cara dos outros os estragos que suponho ainda no terem marcado a minha: quando voltei a casa, depois de os acompanhar estrada que vai para Yaiza, fui ver em que ano nasceu o Salazar Sampaio: Pois no h dvida: para os poucos anos que tem, o Jaime est um bocado estragado. A ostensiva nudez de Lulu, apesar de total e exibida sem disfarce, torna-se, a meu ver, demonstrao de uma pureza recndita, essencial, que vai resistir a todas as degradaes e a que a morte dar o amargo sabor de uma perda irremedivel: Lulu apareceu no mundo, mas o mundo no a reconheceu, usou-a como usaria outra qualquer.

No li nunca o 14 teatro de Wedekind, e pera de Alban Berg s a conheo e mal de disco, mas este filme de Borowczyk fez-me perceber que Lulu, bem mais do que um mero smbolo do fascnio sexual da mulher, uma representao angustiante da inacessibilidade irredutvel do ser. Que amanh ser fixada a data da assinatura do contrato.

E que. No fui capaz de lhe dizer quanto me entristece que tenha aceita do candidatar-se nas listas do PS. Durou pouco o luto. Por exemplo: como meter no relato personagens que durem o dilatadssimo lapso de tempo narrativo de que vou necessitar? Quantos anos sero precisos para que se encontrem substitudas, por outras, todas as pessoas vivas num momento dado? Um sculo, digamos que um pouco mais, creio que ser bastante. Mas, neste meu Ensaio, todos os videntes tero de ser substitudos por cegos, e estes, todos, outra vez, por videntes As pessoas, todas elas, vo comear por nascer cegas, vivero e morrero cegas, a seguir viro outras que sero ss da vista e assim vo permanecer at morte.

Quanto tempo requer isto? Penso que poderia utilizar, adaptando-o a esta poca, o 15 modelo clssico do conto filosfico, inserindo nele, para servir as diferentes situaes, personagens temporrias, rapidamente substituveis por outras no caso de no apresentarem consistncia suficiente para uma durao maior na histria que estiver a ser contada.

Mais cinco mil exemplares, que se vo juntar aos dez mil da edio inicial. Pergunto: que se passa, para que uma pea de teatro atraia tanta gente? J no s o romance que interessa aos leitores? Ter isto que ver, apenas, com a simples fidelidade de quem se habituou a ler-me? Ou ser que, neste tempo de violncia e frivolidade, as questes grandes continuam a roer a alma, ou o esprito, ou a inteligncia moer o juzo uma expresso com muito mais fora daqueles que no querem conformar-se? Se assim , espero que venham a sentirse bem servidos com o Ensaio sobre a Cegueira O mtodo antigo deve ter sido o da tarimba, a experincia ajudada por um jeito natural para a falinha mansa.

Agora imagino que haver aulas de psicologia aplicada, quem sabe mesmo se de hipnotismo, pois doutro modo no encontro explicao para o que se passou hoje com uma das chicas que vieram fazer uma reportagem sobre Lanzarote: as perguntas feitas por esta Elena Butragueno foram do mais simples, do mais directo, gNero 15 que que pensa disto, e contudo dei por mim a falar da minha relao com Lanzarote em termos totalmente novos, dizendo coisas em que at esse momento no havia pensado nunca, porventura nem todas elas sinceras, e que me surgiam como pensamentos, ideias, consideraes que fossem, simultaneamente, meus e alheios.

No que se pode chamar uma sesso de dribbling mental, pareceu-me muito mais eficaz esta Elena do que o seu homnimo Emilio, com a bola, no campo Tirando a questo, relativamente insignificante, de saber se o que escrevi de facto um conto, creio haver posto na histria muito mais do que a anedota original prometia. Interessante foi ter repetido, em relato de esprito to diferente, aquele jogo do mostrar e do esconder que usei nas primeiras pginas do Centauro, falando, alternadamente, de homem e de cavalo para demorar a informao de que, afinal, era de um nico ser que se tratava - o centauro.

Neste caso do Conto Burocrtico, o outro era, simplesmente, o mesmo. Graas s to louvadas e to caluniadas tecnologias, agora o inefvel fax por que que no dizemos, moda antiga, fac simile?

A inteligncia deste homem - irritante, s vezes, graas a uma espcie de clareza de viso e de exposio agressivas pela eficcia, mas nunca pedantes que capaz de nos fazer parecer tudo bvio desde o princpio, quando o que nos teria dado prazer seria ver compartilhadas por 16 ele as dificuldades do nosso prprio entendimento - soube ler, como ningum o fez at agora, In Nomine Dei.

Estimam-se aqui os louvores, alis, como norma sua, sempre discretos um texto que equaciona com meios poderosamente pedaggicos todos os problemas da estrutura religiosa do pensamento, numa dessas frmulas envolventes e certeiras de que Saramago tem o segredo, uma contribuio preciosa para aqueles que consideram fundamental a defesa da sociedade civil contra os fanatismos e fantasmas dos fantsticos , mas o que Prado Coelho diz de mais importante, e que, sem ambiguidades, pe o dedo na ferida que eu pretendi mostrar e desbridar com esta pea, condensa-se em duas perguntas finais: Como conciliar o princpio da crena com o princpio da tolerncia?

Seremos ns capazes de viver em crena, para sermos um pouco mais que coisa nenhuma, e aceitarmos a pluralidade inconcilivel das crenas? Ora, se o meu livro foi capaz de suscitar em Prado Coelho estas interrogaes, dou-me por satisfeito. Fica demonstrado - e que me seja perdoada a presuno - que algumas interpelaes fundamentais tambm podem ser feitas do lado de c.

No deixo, contudo, de pensar que foi preciso eu ter escrito alguns milhares de pginas e, depois delas, estas de In Nomine Dei para que o nosso conselheiro cultural conselheiro em todos os sentidos, no s no diplomtico se dispusesse a olhar com alguma ateno um texto meu. Passeio com Elena Butragueno e Glria Gonzlez, que a das fotos. Javier, pacientssimo, foi de condutor e guia.

Visitmos uma mulher chamada Dorotea, anci de 94 anos, antiga oleira de obra grossa, uma espcie de 18 Rosa Ramalho mais rstica. J no trabalha, mas a dinastia a av dela j estava nesta arte continua na pessoa de um genro, que, assinando com o seu prprio nome as peas que faz, tambm usa, algumas vezes, o nome da sogra Entre os objectos que produzem, geralmente utilitrios embora seja duvidoso, nesta era do plstico triunfante, que algum v utilizar formas to primitivas e pesadas , h duas figuras humanas, uma de homem, outra de mulher, nuas, com os rgos sexuais ostensivamente modelados, e a que chamam os Noivos.

Parece mas talvez seja belo de mais para ser verdadeiro que os noivos conejeros, dantes, trocavam um com o outro estas figuras, a noiva dava ao noivo a efgie feminina, o noivo noiva a efgie masculina, era como se estivessem a dizer: Este o meu corpo, aqui o tens, teu. Comprmo-los, esto ali, diante de mim, ao lado de uma pequena estante de mesa, provavelmente do sculo XVIII, que exibe uma figurinha feita de madeiras embutidas representando o Cordeiro de Deus: Este o meu Corpo, tomai-o Por ideia de Pilar como poderia no ser?

Estes artesos no usam forno, as peas so cozidas ao ar livre, sobre grelhas de ferro. Quando Elena perguntou velha Dorotea se gostava de ver por ali os turistas, ela respondeu que sim, tanto fazia entendlos como no O passeio terminou com uma rpida passagem por El Golfo, mas antes tnhamos estado com uma personagem estranhssima, um Enrique Daz de Bethancourt, descendente, ao que se diz e ele confirma, da antiga famlia fundadora, no princpio do sculo xv.

Vive numa finca meio abandonada, entre sujidade, trapos velhos, lixo por toda a parte, como um anacoreta descuidado dos primores do corpo, 19 salvo a barba, bem aparada, num estilo entre o profeta e ostiro.

Por trs da casa, na encosta, h uma nespereira cujos frutos devem ser dos mais doces do mundo. No fundo duma cova, agachada sobre a terra negra como um enorme animal escondido, a rvore suga das artrias secas dos vulces os depsitos alqumicos com que elabora a substncia ltima da doura.

Punha-se o Sol quando regressmos de EI Golfo. Uma enorme nuvem cor de fogo quase tocava o alto de uma montanha que refulgia da mesma cor. Era como se o cu no fosse mais do que um espelho e as imagens dele s pudessem ser as da Terra. Lembrei-me daquela outra chamada, h 19 anos, no meio da noite, quando uma das filhas do Augusto Costa Dias me avisou de que a revoluo estava na rua.

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